POR AÍ | Encerrando a semana com FLIP, Manoel de Oliveira e poesia

Para encerrar a semana, o post de hoje é uma homenagem à literatura, à poesia e à língua Portuguesa. Inspirada pelos sentimentos despertados pelo queridissimo Manoel de Oliveira em seu novo filme, Singularidades de Uma Rapariga Loura, num conto adaptado de Eça de Quieroz que traz para as telas a belissima Lisboa dos poetas. E influenciada pelos agitos de Paraty onde desde que quarta feira acontece a FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty. Encerramos a semana com a sabedoria naturalista de Alberto Caiero, uma das criações do grande mestre da arte das palavras, Fernando Pessoa. Viva a poesia! Viva a lusofonia! Viva a arte!

O MISTÉRIO DAS COUSAS – ALBERTO CAEIRO

O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.

Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.

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